Carne sacrificada aos ídolos
Na sua 1ª carta aos Coríntios e no capítulo 8 vemos Paulo a responder a um assunto que tinha levantado polémica no seio da igreja não só em Coríntios mas também em toda a igreja primitiva”a carne sacrificada aos ídolos”, assunto este que ficou registado no Concílio de Jerusalém[1].
É de salientar que muitos crentes em Coríntios antes da sua conversão eram pagãos, adorando a ídolos e sacrificando animais aos seus deuses, em muitos lares havia ídolos domésticos, semelhantes aos terafins ou ídolos dos semitas[2]. Por ocasião de aniversários, casamentos e no regresso de familiares, costumavam fazer festas e nelas cultuavam aos falsos deuses, sacrifícios tais executados nos próprios lares ou nos templos, ao fazerem esses sacrifícios juravam a sua devoção às respectivas deidades, invocando assim a bênção dos deuses representados pelos ídolos comunicando assim com as forças diabólicas, comendo depois uma parte da carne sacrificada[3], tudo isto eram um acto de louvor pagão. Convêm mencionar que a carne sacrificada aos ídolos era dividida calhando o restante aos sacerdotes ou vendida no mercado.
Quanto á adoração aos ídolos convêm focar que vem desde a antiguidade, civilizações antigas acreditavam que certos animais eram portadores de espíritos divinos. Eram feitas figuras de vários animais, as quais se tornavam deuses para o povo.
É bom lembrar que Arão fez também um bezerro de ouro[4].
Vivendo com medo dos seus deuses antes de conhecerem o Deus verdadeiro; mas agora após a sua conversão e libertos dessa opressão, os crentes sabiam agora que os ídolos não eram nada, agora adoravam e amavam o Criador, Omnipotente e Omnisciente, o Seu poder excedia o poder dos demónios.
Mas agora eles ficavam com um problema, deviam ou não comer da carne sacrificada aos ídolos? Entre eles havia duas opiniões bem diferentes, para uns era permitido, para outros não.
Os que comiam tal carne baseavam-se na sua liberdade e no conhecimento da nulidade do poder dos ídolos.
O outro grupo condenava tal prática e a consideravam degradante, continuavam a crer que os ídolos eram realidades, agentes activos que contaminavam quem com eles tivessem contacto, o facto de se comer carne oferecida aos ídolos era sinónimo de um contacto directo com esse ídolo.
Paulo escreve então, a fim de resolver a discórdia, o problema, pode-se ver pelas suas declarações que defende a ideia dos primeiros, mas convêm salientar que os repreende a maneira indiscriminada como aplicavam tais princípios, e também o orgulho que manifestavam[5]. O apóstolo ordena que tais crentes usem de muito amor com o próximo, subordinando a sua liberdade à consideração devida a um irmão mais fraco.
Tal chave de conduta cristã sobre esta área ou outra qualquer encontra-se nas palavras de Paulo “…A ciência incha, mas o amor edifica.”[6]·. Paulo reconhece o facto de que “ o ídolo nada é no mundo”e as conclusões procedentes do facto[7]. Assim sendo os coríntios tinham liberdade de agir como haviam agido, se tal atitude não afectasse mais ninguém. Mas precisavam reconhecer que o “irmão mais fraco”desconhecendo esses factos ficava escandalizado, e sua consciência seria contaminada, pois “tudo o que não é da fé é pecado”.
Assim sendo a liberdade de um pode tornar-se em pedra de tropeço para outro[8], por isso seria errado o irmão”forte” abusar do seu conhecimento ou liberdade em prejuízo do irmão “fraco”[9].
Paulo deu-lhes o exemplo de abrir mão de sua liberdade, se essa liberdade levasse seu irmão a pecar[10].
Em seguida Paulo fornece um motivo mais profundo para se absterem da participação em qualquer coisa de idolatria[11].
As festas idólatras estão em total desacordo com a mesa do Senhor.
Quando os gentios sacrificam, sacrificam aos “demónios”, e não pode haver comunhão dum verdadeiro adorador a Deus com o culto a demónios[12].
Em resumo podemos dizer que o uso da liberdade cristã é permitida, mas do ponto de vista da edificação do indivíduo e da igreja, essa liberdade não deve ser usada com abuso[13].
a[14]) Sempre deveriam agir em benefício de outrem [15]
b) A carne vendida no açougue (talho), mesmo que tivesse sido oferecida a um ídolo, poderia ser comida sem escrúpulos[16]
c) Podiam aceitar convites para festas na casa de um incrédulo e participar das comidas, mesmo sacrificadas aos ídolos[17], mas se a refeição tinha algum carácter religioso, então não deviam comer as carnes sacrificadas aos ídolos para não escandalizarem a consciência dos irmãos fracos[18].
d) Tudo deveria ser feito para glória de Deus, para que não houvesse nenhuma ofensa[19].
[1] Actos 15:20
[2] Gen 31:19-30-34
[3] 1Co 10:18-20
[4] Exod 32:5,6
[5] 1 Co 8:2,3
[6] 1Co 8:1b
[7] 1 Co 8:4-6
[8] 1 Co 8.9
[9] 1 Co 8:11,12
[10] 1 Co 8:13
[11] 1 Co 10:14-32
[12] 1 Co 10:20
[13] 1Co 10:23
[14] Alíneas a-b-c-d –BOYD,Frank M.Carta aos Corintios;CPAD:Rio de Janeiro,1983
[15] 1 Co 10:24
[16] 1 Co 10:25,26
[17] 1 Co 10:27
[18] 1 Co 10:28-30
[19] 1 Co 10:31,32
segunda-feira, 22 de outubro de 2007
A carne sacrificada
Publicada por
Antonio Manuel Chumbinho
à(s)
17:21
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